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Mostrando postagens de julho, 2026

A distância exata

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Até onde se pode ir na direção de alguém sem verdadeiramente partir de lugar nenhum? Às vezes penso nisto... Qual é a distância exata entre lembrar uma voz e querer ouvi-la? Entre ter qualquer coisa para contar e imaginar, por um instante, como seria contá-la? Em que momento uma vontade tão pequena deixa de ser inocente e começa a tocar numa fronteira que não sabemos sequer onde foi desenhada? Talvez existam coisas que não devêssemos perguntar. Mas pergunto. Até quando podemos sentir falta de alguém sem que essa falta signifique que nos falta alguma coisa? Esta é a parte que não compreendo. Podemos estar bem. Podemos amar a casa onde chegamos ao fim do dia, conhecer o som dos passos que vivem connosco, a mão que ficou quando a vida se tornou menos bonita, o rosto que assistiu aos nossos dias difíceis sem se afastar. Podemos amar tudo isso. Amar verdadeiramente. E ainda assim. Uma voz. Às vezes basta a memória de uma voz. E de repente existem tantas coisas que ficaram por contar. Coisas...

Feira medieval e…vidas passadas

  Numa feira medieval, uma menina pequenina deu-me a mão. Assim. Sem apresentações, sem autorização parental e sem qualquer preocupação com o facto de eu poder ser uma pessoa pouco recomendável. — Levas-me ali àquela senhora? Olhei para a senhora. Depois para a menina. — Mas… é a tua mãe? — Não. Quero um papelito daqueles. — E onde está a tua mãe? Não respondeu. Sorriu e puxou-me pelo braço. — Anda. E eu fui. É impressionante o poder de uma criança pequena. Um adulto pode passar meia hora a tentar convencer-nos de alguma coisa, apresentar argumentos, gráficos, estatísticas e até um PowerPoint. Uma criança dá-nos a mão, diz «anda» e nós vamos. Lá fui, então, de mãos dadas com uma desconhecida de metro e pouco, até à tal senhora. Quando chegámos à banca, percebi finalmente o que eram os famosos papelitos. Havia duas caixas. Numa estava escrito: VIDAS PASSADAS — CRIANÇAS Na outra: VIDAS PASSADAS — ADULTOS Olhei para a menina. A menina olhou para as caixas. — Então, pequena, o que quer...