A distância exata
Até onde se pode ir na direção de alguém sem verdadeiramente partir de lugar nenhum? Às vezes penso nisto... Qual é a distância exata entre lembrar uma voz e querer ouvi-la? Entre ter qualquer coisa para contar e imaginar, por um instante, como seria contá-la? Em que momento uma vontade tão pequena deixa de ser inocente e começa a tocar numa fronteira que não sabemos sequer onde foi desenhada? Talvez existam coisas que não devêssemos perguntar. Mas pergunto. Até quando podemos sentir falta de alguém sem que essa falta signifique que nos falta alguma coisa? Esta é a parte que não compreendo. Podemos estar bem. Podemos amar a casa onde chegamos ao fim do dia, conhecer o som dos passos que vivem connosco, a mão que ficou quando a vida se tornou menos bonita, o rosto que assistiu aos nossos dias difíceis sem se afastar. Podemos amar tudo isso. Amar verdadeiramente. E ainda assim. Uma voz. Às vezes basta a memória de uma voz. E de repente existem tantas coisas que ficaram por contar. Coisas...