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Mostrando postagens de agosto, 2021

Já não escreves Inês...

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Não tenho escrito muito não. Sabes...eu não tenho nada para escrever. Nada para dizer. E a imaginação já foi melhor. E eu, reservada que sou, não gosto de partilhar. Já fui melhor pessoa...eu sei... já fui já!   Não é qualquer pessoa que eu deixo entrar no meu universo. Não é não. Nada mesmo. Nunca foi. Uma coisa é aquilo que se vê com os olhos. Outra é quando se vê com o coração. E nem todos usam a mesma lente. Não. Não sou de me esconder, não só não evito pessoas como estou muitas vezes no meio delas. Gosto de estar no meio do caos. Cada pessoa é um estado de entropia diferente. Cada um tem o seu e eu... bem eu tenho um estado muito próprio. Sei que não vejo o mundo como os demais. Sei que não. Ouço da mesma forma mas não vejo igual não. Desde muito cedo.  Na escrita também há bocadinhos de mim. Mesmo na escrita criativa (a maioria é!)   E alguns, só alguns, captam um bocadinho da minha essência atráves das palavras soltas e muitas vezes , propositadamente, desordenadas e sem vírgula...

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Mas chegará o instante em que me darás a mão, não mais por solidão, mas como eu agora: por amor. Clarice Lispector        

Danças comigo?

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Eu gostava

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Para que a vida humana não fosse totalmente triste e enfadonha, Júpiter concedeu-lhes muitas mais paixões do que razão, na proporção de um asse para meia onça. Além disso, relegou a razão para um canto estreito da cabeça, deixando todo o resto do corpo entregue ao domínio das paixões. Por fim, opôs à razão isolada a violência de dois tiranos: a Cólera, que domina a Cidadela do peito, com a fonte da vida, que é o coração, a Concupiscência, cujo império se estende até ao baixo ventre. Como conseguirá a razão defender-se destes dois inimigos , para mais reunidos? A vida comum dos homens mostra-o com bastante clareza. A razão apenas consegue gritar , até enrouquecer, as leis da honestidade. É rainha de quem os homens troçam e injuriam até que, cansada, se cala e se confessa vencida.  Erasmo de Roterdão   --------------------- Eu gostava. Oh, como eu gostava. Mas o meu mundo não é como o dos outros  E este corpo carrega uma alma com sede de infinito  Guia-me,mais uma vez, sim Pelos lençóis ...

Telepatia

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"A vida é uma comédia pra aqueles que pensam e uma tragédia para aqueles que sentem."                                              Horace Walpole          

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Amanhã, ou enquanto dormes - agora mesmo -, vou pensar em ti. Intensamente: até que as horas me doam sobre a pele, e o movimento dos dias passe como aves que perdem o sentido do voo - até que tudo o que me rodeia toma a forma do teu corpo.  E em mim circules - quando estendo a mão por dentro da noite e te acordo, no fogo dos meus olhos.  Al Berto

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4:00

São quatro da manhã e voltei a acordar sem que nada o fizesse prever. Transpirada e com a boca seca. Colada aos lençóis da cama. Não  foi um sonho mau que me despertou. Também não foi um sonho bom. Nem me lembro do que sonhei. Está calor. Às quatro da manhã está um calor que me desperta os sentidos. É a quarta noite que isto acontece. Abri a janela do meu quarto e deixei-me estar a observar as estrelas. Por vezes gosto de encontrar respostas naqueles pontinhos de luz. E perguntas... Ah, as perguntas são sempre mais que as respostas! Mas não são um problema. Se fossem teriam todos resolução. Não tendo não chegam a ser um problema.  Não posso negar que sempre gostei de admirar o céu noturno.  E desta vez, adormeci depois de ver o espetáculo celestial deixado pelo Swift-Tuttle, e voltei a lembrar-me do encontro que temos marcado nas estrelas. Como eu gostava de poder... Tocar-te! Sentir os teus lábios, a tua pele e as tuas mãos a percorrerem o meu corpo. A tua respiração e o teu batiment...

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Em todas as ruas...

Em todas as ruas te encontro em todas as ruas te perco conheço tão bem o teu corpo sonhei tanto a tua figura que é de olhos fechados que eu ando a limitar a tua altura e bebo a água e sorvo o ar que te atravessou a cintura tanto tão perto tão real que o meu corpo se transfigura e toca o seu próprio elemento num corpo que já não é seu num rio que desapareceu onde um braço teu me procura   Em todas as ruas te encontro em todas as ruas te perco  Mário Cesariny de Vasconcelos