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Haverá sempre um espaço invisível entre nós. Sim. Não fosse o ar o elemento de ligação entre o visível e o invisível, não é?


À luz da ciência nunca conseguimos vencer essa força que nos repele. E as palavras...


As malditas palavras que me perfuram os tímpanos e me aquecem o peito?


Tomara eu que a palavra não tivesse tanto valor e significado. É que para mim ainda tem. Não gosto de atirar palavras ao vento sem sentido. E há palavras que rasgam o peito e nos deixam vulneráveis.


Proponho pena máxima para quem as disser em vão. Não fui eu. Não foste tu. Não foi em vão. Eu sei. Mas o meu "Eu" é desajeitado ao invadir o palco e a gerir emoções sabes? E eu sinto-me como uma menina que enfrenta uma resistência tremenda para se endireitar uma última vez…


Não devia...


É nesse diagrama singular de ligações a pensamentos e sonhos que é impossível ficar longe da loucura. 


Ligados por uma ponte de fogo


Que vibra subtilmente


Nos avanços e recuos


É só no teu abraço que me perco


O escudo de folhas que o vento criou


Em torno de um corpo que vê o rastilho de pólvora


Dissipa-se como que por magia


Entre sussurros que não vejo


E olhares que não oiço


Os lábios não escrevem


E a luz divide os corpos


Com os dedos que gritam


Num místico desassossego


E o meu toque aflito


Como se fosse chuva


Desliza pela tua pele nua


Enamora-se e dança  


Com a água que tens na boca


Onde as línguas são confidentes


De um amor que não hesita


Em ir mais fundo e mais alto


Entrelaçados com o vento


Onde o tempo abranda


E acelera


E depois abranda de novo


na nudez coberta de pele 


E todos os dias te abraça


E ama como a primeira vez


Mas não te rouba o espaço


Tão apreciado


Porque existirá sempre


Um espaço vazio 


Sem proteção nenhuma


Entre nós...


 

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