Em reunião
Há quem entre numa reunião com um bloco de notas. Eu entro com um cérebro que se comporta como um navegador com cinquenta separadores abertos. Todos ativos. Nenhum relacionado entre si. À minha volta está tudo muito organizado. Há pessoas a falar com clareza, a apresentar ideias, a construir raciocínios sólidos, quase geométricos. Eu acompanho. Juro que acompanho. Mas a minha mente tem um sistema operativo próprio. Enquanto uma colega diz: — Precisamos de simplificar os procedimentos. Eu estou a olhar para um agrafador. Não um agrafador qualquer. Aquele agrafador. Pesado. Cinzento. Ligeiramente gasto pelo tempo. E, sem qualquer autorização, o meu cérebro pergunta: Quem foi a primeira pessoa da História que olhou para duas folhas soltas e pensou: Isto precisava era de um pequeno pedaço de metal para as convencer a ficar juntas... Volto. Ainda estão a falar. Aparentemente ninguém questionou a existência dos agrafos. Curioso. Cinco minutos depois alguém partilha um documento. Toda a ...






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